Zoonoses

Segundo os Médicos de Portugal, zoonose é uma doença infecciosa transmissível, em condições naturais, dos animais vertebrados – tanto domésticos como selvagens – ao homem e inversamente.

Hidatidose

Após breve pesquisa pela Internet tropeçámos numa notícia em que o jornal “ Público” faz referência à Hidatidose/Equinococose, sendo esta uma zoonose de declaração obrigatória com alguma expressão em Portugal.

“Portugal foi o Estado membro da União Europeia (UE) que registou o maior aumento de casos de quisto hidático em 2004, revela o primeiro relatório anual da Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) sobre doenças zoonóticas (…) Em 2004 foram detectados em Portugal 57 casos humanos de hidatidose, contra dez em 2003, sem que tenham sido dadas explicações para este aumento. “

Fonte: Público

A equinococose/hidatose é uma doença provocada, em Portugal, por um parasita chamado Equinococcus granulosus que se encontra no intestino do cão parasitado.

Ciclo de vida:

Vídeo sobre hidatidose:

Nos últimos quatro anos, a Direcção Geral de Saúde (DGS) registou uma média de 17 casos de infecção por hidatidose por ano, mas a própria DGS afirma que estes dados estão longe da realidade, apesar de se tratar de uma doença de declaração obrigatória. «Os números existentes estão certamente muito afastados da realidade porque, na maior parte das vezes, este problema não é sequer reportado às autoridades de saúde. Muitas vezes os médicos dos centros de saúde passam os anti-parasitários e não registam os casos», explicou à Lusa Judite Catarino, da DGS. »

Fonte: Lusa (25 Fevereiro de 2005)

Esta doença parece apresentar maior prevalência no Alentejo, constituindo os Concelhos de Elvas, Alandroal e Campo Maior, os que apresentam uma das maiores prevalências de hidatidose humana em termos europeus. Em Portugal e Espanha, ainda que a situação tenha melhorado nos últimas décadas em termos de saúde animal, são significativos os casos humanos quer em adultos quer em crianças, estes último grupo verdadeiro indicador da incidência desta doença de desenvolvimento lento e cujo diagnóstico frequentemente apenas ocorre várias décadas após o início do parasitismo.

Fonte: http://www.hidatidose.uevora.pt/index.html

Algumas câmaras municipais realizam campanhas de informação e prevenção da hidatidose oferecendo desparasitações orais gratuitas aos animais de companhia. Também os hospitais, e a sociedade portuguesa de hidatidologia organizam campanhas de rastreio da hidatidose, sendo estas medidas bastante importantes devido à elevada prevalência de hidatidose no nosso país e, em especial, no Alentejo.

Dirofilariose

Caracterização do agente:

A Dirofilariose é uma infecção causada por um parasita de nome Dirofilária, sendo também conhecido como a “doença do verme do coração”.

Em Portugal, este parasita localiza-se preferencialmente nas regiões do Ribatejo, Alentejo, Algarve  e Ilha da Madeira.

O parasita atinge os vasos sanguíneos causando obstrução da corrente sanguínea, juntamente com tromboembolismos. Esta patologia pode levar à incapacitação ou mesmo morte do animal afectado.

A dirofilária afecta principalmente cães mas também pode afectar gatos e animais silvestres.

Modo de transmissão

A transmissão ocorre através da picada de mosquito Fêmea ( Culex pipiens) infectada com larvas de dirofilária ( microfilárias) presentes no animal infectado. As microfilárias tornam-se infectantes após 10 a 15 dias dentro do mosquito onde posteriormente serão inoculadas num animal saudável.Após a inoculação num animal saudável, as microfilárias migram para as artérias pulmonares e coração, onde se desenvolvem até ao estado adulto em 6 meses.

Para visualizar um vídeo ilustrativo acerca da dirofilariose, seguir o seguinte link: http://www.youtube.com/watch?v=lbFe9G3ntQg

Sintomatologia:

Os sintomas normalmente surgem após vários meses de o animal ser infectado. São mais comuns as dificuldades respiratórias, tosse crónica, intolerância ao exercício, perda de apetite e emagrecimento, edemas , perda de consciência e morte súbita ( em casos mais avançados).

Poderá haver animais sem sintomatologia, sendo preocupante quando os animais manifestam os sintomas, porque pode-se estar perante um caso irreversível.

Os gatos também podem contrair dirofilariose, apesar de ser mais raro do que nos cães, sendo os sintomas nos gatos mais agudos, levando mesmo à morte súbita sem que o dono detecte qualquer sintoma.

Tratamento:

Se esta patologia for diagnosticada precocemente, tem cura mediante tratamento químico, apesar de ser um tratamento dispendioso que apresenta alguns riscos  para a saúde do animal.

Prevenção:

A prevenção é feita mensalmente através de comprimidos que eliminam as formas larvares de dirofilária, ou mediante o uso de repelentes que previnam a picada do mosquito.

Dirofilariose humana

O Homem pode infectar-se quando os vectores contendo microfilárias em fase infectante se alimentam deste.  Estes vermes são assim transmitidos para o sangue periférico e normalmente não conseguem ultrapassar o tecido subcutâneo, morrendo neste. Contudo existem vários estudos que relatam casos de dirofilariose humana, tendo sido o primeiro caso relatado no Rio de Janeiro, em que uma menina apresentava dois parasitas adultos no coração.

Um estudo realizado entre 1990 e 1999 em Itália identificou 60 novos casos de dirofilariose humana sendo que os parasitas localizam-se mais frequentemente no pulmão, musculatura do braço e perna, escalpe e olho, como se demonstra na figura seguinte:

localizações de dirofilaria, num estudo realizado em Italia

Outro estudo realizado a nivel europeu em 1999 identificou as regiões em que existe maior  prevalência de Dirofilaria spp. e identificou o numero de casos reportados de dirofilariose humana.

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Zoonoses emergentes em Portugal

Ao fazermos uma pesquisa sobre as zoonoses emergentes em Portugal encontrámos este artigo: “Zoonoses emergentes em Portugal” do Prof. Doutor J. A. David de Morais, publicado na revista Mundo Farmacêutico, edição de Setembro/Outubro de 2006 que achamos interessante partilhar:

“Nas décadas de 40 e 50, diversas personalidades médicas exprimiram a opinião de que, por recurso a antibióticos, vacinas, insecticidas, etc., as doenças infecciosas e parasitárias estavam «condenadas a desaparecer». Todavia, volvido que foi meio século, não só várias daquelas doenças aumentaram de incidência como, em muitos casos, tornaram-se ainda mais difíceis de tratar (casos flagrantes da tuberculose e malária, entre outras).

Aliás, ocorre lembrar que, de acordo com a OMS, cerca de 1/3 da mortalidade humana em todo mundo é devida a doenças do foro infeccioso e parasitário. Acresce que, nos últimos 20 anos, foram descritos cerca de 30 novos agentes infecciosos que antes eram totalmente desconhecidos da Ciência, sendo que um número considerável deles são zoonoses.

Entre as várias razões que têm contribuído para o aumento da incidência daquelas doenças, haverá que referir: as alterações climáticas; a degradação ambiental; o aumento da toxicodependência, da prostituição e da homossexualidade; o envelhecimento populacional; o aumento das infecções nosocomiais e da resistência aos antibióticos; a maior mobilidade das populações; a eclosão de conflitos bélicos; o aparecimento de novas doenças (doenças emergentes) e o recrudescimento de antigas (doenças reemergentes), etc.

Assim, dada a relevância actual das zoonoses emergentes, dedicar-lhes-emos a nossa atenção, restringindo-nos, todavia, tão-só ao território nacional:

1 Arbiviroses

Têm por reservatórios diversos vertebrados, sendo que, grosso modo, as aves assumem uma relevância especial como reservatórios. Foram identificados em Portugal os seguintes arbovírus: Ntaya, Banzi, Dhori, Thogoto, West-Nile, Febre-Hemorrágica Congo-Crimeia e vírus Toscana. As suas manifestações clínicas são também muito diversas, mas serão de referir quadros do tipo gripal, febres hemorrágicas e meningoencefalites.

2 Hantaviroses

Os seus reservatórios são roedores. Na Europa, foram identificados os seguintes vírus do género Hantavirus: Puumala, Dobrava-Belgrado e Saaremaa. As infecções por Hantavirus podem ser assintomáticas ou apresentar manifestações de falência renal (impondo, por vezes, a necessidade de recurso à hemodiálise), edema pulmonar não cardiogénico ou até mesmo falência multiórgãos.

3 Ehrlichiose e anaplasmose

Inicialmente, entendia-se que as duas principais bactérias causadoras de «ehrlichiose» pertenciam ambas ao género Ehrlichia, mas estudos filogenéticos subsequentes mostraram tratar-se de dois géneros distintos. Têm como reservatórios diversos animais domésticos e assumem maior importância a Ehrlichia chaffeensis e o Anaplasma phagocytophilum.

A clínica pode consistir apenas em quadros febris, mas estão também descritas falências pulmonares e renais agudas e até mesmo encefalopatias.

4 Rickettsioses

Foram identificadas no nosso País as seguintes rickettsias: R. typhy (produzindo o clássico tifo endémico), R. conorii (responsável pela chamada febre escaronodular ou febre botonosa), R. slovaca (que determina, caracteristicamente, eritema e linfadenopatias), R. helvetica (supostamente responsável por certas cardiomiopatias e por quadros febris sem exantema) e R. sibirica mongolotimonae (que produz o tifo siberiano por carraça e/ou a «linfangite associada a rickettsioses»). A primeira das rickettsias referidas tem como vectores as pulgas dos ratos e as restantes são transmitidas por diversas espécies de carraças.

5 Tularemia

Os principais reservatórios da Francisella tularensis são, na Península Ibérica, as lebres e os seus quadros clínicos são muito diversificados: úlceras glandulares, pneumonites, situações semelhantes a febres tifóides, septicemias, etc. Em Espanha foram descritos surtos epidémicos relacionados com a caça e manipulação de lebres e também com a pesca ao lagostim de água doce.

6 Bartoneloses

Os principais reservatórios parecem ser os gatos e o próprio homem. Na Europa, foram descritas a Bartonella quintana, B. henselae e B. elizabethae. As manifestações clínicas podem incluir febre, adenopatias, angiomatose bacilar, doença da arranhadura do gato, endocardite, etc.
A infecção assume especial acuidade em indivíduos imunodeprimidos, sendo que, em casos de SIDA, a angiomatose bacilar tem sido mesmo confundida com o sarcoma de Kaposi.

7 Borreliose de Lyme

Os seus vectores são carraças (entre nós, o Ixodes ricinus). Trata-se de uma doença proteiforme («a nova grande simuladora»), podendo apresentar manifestações cutâneas (eritema migrans, linfocitoma e acrodermatite crónica atrófica), articulares (artrite de Lyme), cardíacas (bloqueios de ramo intermitentes, pancardite e, talvez, certas formas de miocardiopatia hipertrófica), oculares (conjuntivite, iridociclite, vasculi­te retiniana, coroidite, nevrite do óptico, panoftalmia, queratite, etc.) e neurológicas (parésias e paralisias periféricas ou cranianas, mielites, encefalites, meningites crónicas, vasculi­tes cerebrais, pseudo tumores cerebrais, síndromes demenciais, quadros like esclerose múltipla, etc.).”

Prof. Doutor J. A. David de Morais
Departamento de Ecologia da Universidade de Évora e Hospital do Espírito Santo de Évora

 

Campilobacteriose

 

É uma zoonose de distribuição mundial, existindo várias espécies patogénicas para os seres humanos. O Campylobacter jejuni e o Campylobacter coli são as espécies mais frequentes, encontrando–se disseminadas na natureza e no tracto gastrointestinal de animais domésticos e selvagens. A infecção por esta bactéria origina gastroenterite em humanos e animais. Se surgir durante a gestação pode também originar abortos, nados mortos ou nascimentos prematuros.

Os humanos infectam-se por contacto directo com animais portadores ou pela ingestão de carne crua ou mal processada de aves, suínos e bovinos ou, ainda, pela ingestão de leite não pasteurizado e água. Uma das formas de transmissão passiva do agente através da carne para outros alimentos poderá ocorrer durante a descongelação e o processamento desta em locais comuns. Neste âmbito, as carcaças de frango congeladas assumem grande importância, pois a água de degelo em contacto com outros alimentos, principalmente os ingeridos in natura, poderá explicar a origem de alguns dos surtos. No relatório da EFSA verifica-se que a Campilobacteriose é a infecção zoonótica em humanos mais frequente nos Estados Membros, sendo a carne de frango o veículo mais importante de transmissão destas infecções. Embora não existam dados em Portugal sobre esta zoonose, em 2005 foram reportados por 22 Estados-Membros um total de 197 363 casos, sendo o C.jejuni seguido do C.coli as estirpes mais frequentemente encontradas.

 

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Fonte:  Sá, Maria Inácia; Ferreira, Cristina; Importåncia das zoonoses na seguran.a alimentar; Segurança e qualidade alimentar nº2; 2007

 

 O gráfico seguinte demonstra a origem das infecções por Campylobacter (dados EFSA 2007)

 

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EFSA; Food-borne outbreaks in the European Union in 2007; Community Summary Report

Brucelose

“A saúde humana e animal estão inexoravelmente relacionadas. O Homem depende dos animais, para alimentação, desenvolvimento socio-económico e companhia. Todavia, os animais podem transmitir aos humanos um grande número de doenças. Estas doenças são designadas zoonoses e algumas delas podem ser potencialmente devastadoras. A brucelose tem sido uma doença em permanente evolução desde a identificação da B. melitensis, por Bruce, em 1887. Subsequentemente, foi identificado um crescente número de espécies. Atendendo ao facto de cada espécie apresentar características epidemiológicas distintas, com cada novo agente identificado, a complexidade da interacção com o Homem tem vindo a aumentar.

Agente etiologico

As bactérias pertencentes ao género Brucella são pequenos cocobacilos gram-negativos não capsulados, sem capacidade de locomoção e de formar esporos, parasitas intracelulares

facultativos.

O género Brucella é composto actualmente por sete espécies: Brucella melitensis, Brucella suis, Brucella abortus, Brucella ovis, Brucella neotomae, Brucella canis e, mais recentemente, Brucella maris. A brucelose humana pode ser causada por uma de quatro espécies: Brucella melitensis, ocorrendo mais frequentemente na população geral, sendo mais invasiva e patogénica e cujos reservatórios são as cabras, as ovelhas e os camelos; Brucella abortus, presente no gado bovino; Brucella suis e Brucella canis, transmitidas pelos suínos e pelos cães, respectivamente.

Epidemiologia

A brucelose é uma zoonose, derivando virtualmente todas as infecções humanas de contacto directo ou indirecto com a infecção animal. A doença foi identificada em todo o mundo, mas especialmente na bacia do Mediterrâneo, na península arábica, no sub-continente indiano, e partes do México, da América Central e do Sul.

Actualmente e de acordo com a OMS, julga-se que, mesmo nos países desenvolvidos, a verdadeira incidência da brucelose poderá ser cinco ou mais vezes superior à que os números oficiais sugerem. Este facto é atribuído ao subdiagnóstico e à subdeclaração “obrigatória”.

A incidência humana varia consoante a densidade de gado caprino e ovino, o grau de endemia animal, o nível socioeconómico e os hábitos alimentares.

Em Portugal, durante o ano 2000, de acordo com Instituto Nacional de Estatística e a Direcção Geral da Saúde, foram notificados 506 casos de brucelose, o que corresponde a uma incidência de 5,08 casos por 100 000 habitantes. Todavia, estes valores representam metade dos registados cinco anos antes, constatando-se diminuição em relação ao triénio

anterior.

A brucelose tem apresentado sempre grande assimetria regional, associada à criação e comércio de gado. As regiões que permanecem mais afectadas são as regiões norte e centro, sendo Bragança e Guarda as sub-regiões com maior número de casos. A brucelose apresenta também uma assimetria na distribuição por sexos, constatando-se maior incidência no sexo masculino, com uma razão de 2:1, com a moda localizada na faixa etária dos 55 aos 64 anos, sendo rara na infância (provavelmente, por menor exposição deste grupo etário à contaminação cutânea e respiratória). Aparentemente, é uma zoonose dos meses de Primavera, com um pico de diagnóstico de novos casos nos meses de Abril, Maio e Junho, coincidindo com o aumento do número de partos animais (em especial dos pequenos ruminantes) e também, com o aumento da quantidade de leite cru disponível para consumo e transformação.

Nos animais, a brucelose é uma infecção crónica que persiste por toda a vida. A localização das bactérias nos órgãos reprodutores é responsável pelas manifestações principais:

esterilidade e aborto. As brucelas encontram-se em grande número no leite, urina e produtos abortivos de animais infectados. Consequentemente, a brucelose tornou-se uma doença ocupacional para agricultores, veterinários, trabalhadores dos centros de abate e técnicos de laboratório. As vias de transmissão humana incluem o contacto directo com animais (60 % dos casos) ou o contacto com as suas secreções, através de soluções de continuidade cutâneas, aerossóis contaminados, inoculação no saco conjuntival ou ingestão de produtos não pasteurizados (25% dos casos).Neste último caso, a Brucella pode sobreviver de duas semanas até três meses. Os consumos de sangue e medula óssea foram também implicados como veículos de transmissão. A ingestão de carne é uma origem de infecção pouco habitual, visto o número de bactérias no músculo ser baixo e raramente ser consumida carne crua. A temperaturas abaixo de 5º C, o seu crescimento e multiplicação são inibidos, mas persistem mesmo a temperaturas de congelação. Outro condicionante da viabilidade da brucela é a acidez, sendo a bactéria eliminada a pH inferior a 4. A brucela é destruída em 15 segundos à temperatura de 72º C e em três minutos a 62-63º C (pasteurização). No entanto, em zonas endémicas, é preconizado o uso de temperaturas mais elevadas (85º C), para garantir a inocuidade, dado que o período de tempo decorrido desde a obtenção do produto e o seu processamento pode ser grande e a sua conservação insuficiente, permitindo, dessa forma, proliferação elevada das bactérias.

A presença de patogénios em queijo curado permanece controverso. Apesar de alguns autores terem identificado bactérias viáveis em queijos até 100 dias, parece ser aceitável considerar 60 dias de cura como tempo suficiente para garantir a inocuidade do produto.

Outra das formas de apresentação de queijo — o requeijão — parece ser seguro se obtido pela acidificação do leite. No entanto, se obtido do leite coalhado com coalho, as Brucella podem sobreviver até 30 dias. Há outras formas de transmissão humana possíveis, mas muito improváveis, salientando-se a contaminação dos vegetais por fezes e urina de animais infectados.

A transmissão inter-humana é rara. Todavia, foram identificados casos de transmissão sexual, intra-uterina e por aleitamento materno.

 

Patogenia

Organismos virulentos de Brucella podem infectar células fagocitárias ou não fagocitárias, por mecanismos ainda não completamente caracterizados. No interior das células não fagocitárias, as brucelas tendem a localizar-se no retículo endoplasmático rugoso. Nos polimorfonucleares ou células mononucleares, estes microrganismos usam um grande número de mecanismos para evitar ou suprimir a resposta bactericida.

O LPS-S tem papel fundamental na sobrevivência intracelular. Comparado com o lipopolissacárido das enterobacteriáceas, o LPS-S tem baixa toxicidade para os macrófagos,

baixa pirogenicidade e baixa actividade ferropénica. É também um fraco indutor do interferão e do factor de necrose tumoral, mas, paradoxalmente, é um indutor da interleucina  e dos linfócitos Th1.

A eliminação das estirpes virulentas de Brucella depende de macrófagos activados, pelo que requer o desenvolvimento de respostas de imunidade celular tipo T helper 1 (Th1) a antigénios proteicos. Um importante factor determinante da virulência é a produção de adenina e guanina monofosfato, que inibem a fusão dos fagolisossomas, a desgranulação e activação do sistema de Zn-Cu-superóxido dismutase e a produção de factor de necrose tumoral.”

Fonte:  PESSEGUEIRO P., BARATA C.,CORREIA J., “Brucelose – Uma revisão sistematizada”, Artigo de revisão in Medicina Interna Vol. 10, N. 2, 2003

Sintomatologia Clínica:

Figura 1: Sinais e sintomas em 500 com Brucelose, causada por B. melitensis (Fonte:  ALMEIDA T., “Brucelose – A última década no Centro Hospitalar da Cova da Beira, E.P.E.”, Universidade da Beira Interior – Dissertação Mestrado integrado em Medicina, Maio 2009)

Prevenção

“A prevenção da brucelose no Homem depende sobretudo do controlo ou erradicação da doença nos animais. Existem vacinas animais disponíveis para estirpes de Brucella abortus e Brucella melitensis, mas não para Brucella suis ou Brucella canis.

Outras medidas importantes são os cuidados de higiene, para limitar os riscos de exposição de algumas actividades ocupacionais, e a pasteurização ou fervura dos produtos lácteos e outros alimentos de risco.

Até ao presente, não foi encontrada qualquer vacina eficaz e segura para o Homem, embora já tenham sido usadas vacinas vivas atenuadas e vacinas criadas a partir de subunidades da Brucella. Estas demonstraram pouca utilidade prática (conferiam protecção para as formas mais graves por um período inferior a dois anos) e riscos elevados no caso das vacinas vivas.

Assim, dada a necessidade evidente duma vacina humana, os estudos prosseguem, estando a ser avaliada a potencial aplicação nos humanos de vacinas derivadas de mutantes de Brucella melitensis, que parecem

ser seguros nos animais.”

Fonte:  PESSEGUEIRO P., BARATA C.,CORREIA J., “Brucelose – Uma revisão sistematizada”, Artigo de revisão in Medicina Interna Vol. 10, N. 2, 2003

Toxoplasmose

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<!–[endif]–>“Resumo

 O Toxoplasma gondii, agente etiológico da toxoplasmose, tem o gato como hospedeiro definitivo, e o homem e outros animais como hospedeiros intermediários. Os alimentos vegetais contaminados com oocistos e os de origem animal, principalmente produtos suínos e ovinos com cistos, são os maiores responsáveis pela infecção humana e no cão. Além destes alimentos, estão envolvidos, ainda, o solo contaminado e roedores infectados, ingeridos parcial ou totalmente, como conseqüência dos hábitos carnivoros exercidos por estes animais. Esta doença pode provocar graves lesões sistémicas, variando de sinais neurológicos, ósteo-musculares, respiratórios a oculares, dentre outros.

Introdução e etiologia

 A toxoplasmose é uma coccidiose dos felídeos, causada pelo Toxoplasma gondii. É uma das mais comuns parasitoses, afectando praticamente todos os animais homeotérmicos, em todo o mundo, inclusive o homem, constituindo-se em importante zoonose. Trata-se de um sério problema para as criações de suínos e pequenos ruminantes, nas quais causa prejuízos pelos abortos, infertilidade, além de diminuir a produção dos animais infectados pela via congénita. No homem, é a principal causa de encefalite nos indivíduos afectados pela síndrome da imunodeficiência imunológica adquirida (SIDA), causando também lesões neurológicas e oftálmicas em crianças expostas durante a vida intra-uterina, e em indivíduos imunodeprimidos.

O Toxoplasma gondii apresenta três formas infectantes: os taquizoítos (taqui=rápido), que são as formas de proliferação rápida, e estão presentes em grande número, nas infecções agudas. No animal afectado, o parasita pode estar no sangue, excreções e secreções. Neste estágio sobrevive no meio ambiente ou na carcaça por poucas horas. Os bradizoítos (bradi = lento) são formas de reprodução lenta do Toxoplasma gondii, e estão presentes nas infecções congénitas e crónicas. Organizam-se aos milhares particularmente em músculos e tecido nervoso. Neste estágio pode sobreviver em tecidos por alguns dias depois da morte, mas é destruído pelo congelamento a –12oC por 24 horas ou cocção a 58oC por dez minutos. Os oocistos são as formas resultantes do ciclo sexuado do parasita, que ocorre apenas no trato gastrointestinal dos felídeos. Os oocistos são eliminados nas fezes ainda não esporulados, tornando-se infectantes após a esporulação no meio-ambiente, que ocorre entre três e cinco dias de acordo com as condições ambientais. O oocisto esporulado pode permanecer viável no meio ambiente por até um ano e meio.

Epidemiologia

 Os gatos   infectam-se principalmente pela ingestão dos microrganismos encistados presentes nos tecidos dos hospedeiros intermediários, tais como os roedores, entre outros. A parede dos cistos é digerida, liberando organismos infectantes na luz intestinal, que penetram pela parede intestinal e rapidamente multiplicam-se, formando taquizoítos que espalham-se por todos os órgãos do animal. Simultaneamente o parasito reproduz-se nas células da parede intestinal, denominando-se ciclo entero-epitelial, culminando na formação de oocistos, que são excretados com as fezes. Na medida que se produz a resposta imune no gato, a eliminação de oocistos é detida e os taquizoítos reproduzem-se cada vez mais lentamente, modulando-se em bradizoítos que se organizam em cistos teciduais, localizados nos mais diversos tecidos do corpo dos animais. Os gatos que não se expuseram previamente começam a eliminar oocistos entre três e dez dias após a ingestão de bradizoítos e continuam a eliminação por até dez a 14 dias, produzindo vários milhões de oocistos. Após o estabelecimento da resposta imune, a reexcreção de oocistos é extremamente rara, podendo ocorrer com a utilização de imunossupressores, como os glicocorticóides em altas doses, por períodos prolongados.

Os felídeos são o ponto-chave da epidemiologia da toxoplasmose, sendo os únicos hospedeiros da forma sexuada do parasita e, por eliminarem oocistos nas fezes, são a única fonte de infecção dos animais herbívoros. Nestes animais como suínos, caprinos, ovinos, roedores e outros mais, ocorre apenas o ciclo extraintestinal, com proliferação de taquizoítos nos órgãos e, com a resposta imune, desenvolvem-se os cistos teciduais. Estes permanecem viáveis e são infectantes para os gatos e para os outros hospedeiros intermediários como o homem e o cão. Nestes últimos, a infecção geralmente pode acontecer pela ingestão de oocistos, presentes no solo ou alimentos de origem vegetal, ou de carne com cistos tissulares.
A transmissão congênita do T. gondii pode ocorrer quando a infecção aguda coincide com a prenhez, com conseqüências mais sérias aos fetos, no primeiro terço ou metade da gestação, embora quanto mais adiantada a gestação, maior é a probabilidade da infecção fetal, porém com menos riscos de fetopatias graves. O Toxoplasma gondii multiplica-se na placenta e, então difundem-se para os tecidos fetais. Embora a infecção possa se desenvolver durante qualquer estágio da gestação, o feto é afetado mais severamente quando a fêmea gestante se infecta durante a primeira metade da gestação.

Sinais Clinicos

 Os sinais clínicos da toxoplasmose muitas vezes são inespecíficos, e podem confundir o diagnóstico da enfermidade. Os sintomas mais freqüentes são aqueles associados ao sistema respiratório e digestivo, acompanhados de febre, anorexia, prostração e secreção ocular bilateral muco-purulenta. O comprometimento pulmonar é evidenciado pela tosse, espirros, secreção nasal catarro-purulenta e dispnéia. Podem ocorrer ainda hepatite, linfoadenomegalia mesentérica, obstrução intestinal pela formação de granulomas, peritonite, miosite e miocardite. A toxoplasmose pode ser suspeitada em gatos com uvéite anterior, retinocoroidite, febre, dispnéia, polipnéia, desconforto abdominal, icterícia, anorexia, apatia, ataxia e perda de peso.
A toxoplasmose aguda pós-natal pode desenvolver-se em indivíduos aparentemente normais acompanhando a ingestão de grande número de oocistos esporulados ou bradizoítos, o que pode levar ao envolvimento de vários órgãos, o que é comum, incluindo sinais como inapetência, dispnéia, tosse, vômito, diarréia, hematemese, aumento das amígdalas e linfonodos periféricos, esplenomegalia e algumas vezes hepatomegalia. A inflamação hepática pode estar associada à dor abdominal anterior e efusão peritoneal, geralmente associada a vômito, diarréia e inapetência e os animais podem tornar-se ictéricos devido à natureza difusa da necrose hepática, enquanto a toxoplasmose pós-natal crônica causa mais comumente sinais oculares e neurológicos, e raramente provoca envolvimento hepático primário.
Lesões oculares por toxoplasmose são muito comuns em gatos. A toxoplasmose é a causa mais freqüente de uveíte nos gatos, mas é difícil reconhecer o toxoplasma como a causa da mesma. Apesar que nem todos os gatos com toxoplasmose apresentam uveíte, esta é mais usual em gatos com toxoplasmose sistêmica.
A toxoplasmose está freqüentemente associada a quadros de imunodepressão, principalmente na espécie canina, havendo possibilidade de reativação de focos latentes de toxoplasmose nos casos de cinomose, complicando ainda mais o quadro neurológico dos animais afetados.

Diagnóstico

 O diagnóstico da toxoplasmose em cães e gatos baseia-se em métodos directos, que consistem na identificação do parasita em materiais dos animais infectados, e métodos indiretos, baseados na identificação de anticorpos específicos contra o Toxoplasma.

PROFILAXIA

 O T. gondii, pela sua versatilidade, dependendo do hospedeiro e da via, pode ser infectante em qualquer estágio evolutivo (taquizoítos, cistos e oocistos), fato que amplia muito, em condições naturais e laboratoriais, os riscos de infecção para os animais domésticos e o homem.
A prevenção da infecção de cães e gatos baseia-se principalmente em cuidados com a alimentação destes animais, não permitindo o consumo de carne crua ou mal-cozida por estes animais, prevenindo assim a exposição a cistos teciduais. Os animais devem ser mantidos domiciliados e bem alimentados, prevenindo que venham a caçar roedores e aves, que possam estar infectados.
A toxoplasmose no homem deve ser prevenida pela cocção adequada dos alimentos cárneos, pela lavagem das frutas e verduras, assim como dos instrumentos e superfícies utilizadas na preparação dos mesmos.
Nem as pessoas que criam gatos, bem como os veterinários possuem um risco significante maior de adquirir a toxoplasmose do que a população em geral, o mesmo valendo-se para gestantes e pacientes imunodeprimidos. Assim, esta população não deve ser afastada dos seus animais. Há de se tomar precauções, removendo as fezes dos felinos diariamente, prevenindo a esporulação de possíveis oocistos no convívio humano, tarefa que não deve ser realizada por gestantes e pacientes com imunodepressão. Devem ser utilizadas luvas sempre que sejam manipuladas as fezes dos gatos, assim como nos procedimentos de jardinagem.”

Fonte: http://www.hospvetprincipal.pt/toxoplasmose.htm

Ao verificarmos a crescente preocupação entre os médicos veterinários, sobre o aparente crescimento de novos casos de febre Q, e sendo esta uma zoonose que requer um tratamento que pode ir até aos 2 anos de duração nos casos crónicos, decidimos publicar alguma informação sobre a febre Q:

 

“O que é a febre Q?

A febre Q é uma zoonose muito contagiosa, causada pelo patogénio intracelular Coxiella burnetii. Muitos animais domesticados e selvagens, tais como mamíferos, aves, répteis e artrópodes, são portadores de C. burnetii.

Onde existe a doença?

A febre Q existe em todo o mundo, à excepção da Nova Zelândia.

Como é transmitida e propagada a doença?

A C. burnetii pode ser transmitida por inalação de aerossóis ou por contacto directo; pode também ser transmitida por ingestão. As infecções em animais podem persistir durante vários anos ou mesmo durante toda a vida. Nos animais, os microrganismos alojam se nas glândulas mamárias, nos gânglios linfáticos supramamários, no útero, na placenta e no feto; as bactérias podem ser excretadas no leite, na placenta e nas descargas uterinas, em gravidezes e lactações subsequentes. A C. burnetii pode também estar presente nas fezes e na urina, bem como no sémen dos touros. Foi demonstrada a transmissão sexual em ratos. As carraças podem ter uma intervenção importante na transmissão entre animais selvagens e podem também transmitir a infecção aos ruminantes domésticos.

A maior parte das infecções humanas estão associadas a bovinos, ovinos e caprinos, sendo contraídas com frequência durante o parto dos animais.

Os seres humanos são geralmente infectados através da inalação de aerossóis, mas a transmissão pode também verificar se por ingestão de leite não pasteurizado ou de outros materiais contaminados.

Quais são os riscos para a saúde pública?

A febre Q é uma zoonose. Nos seres humanos, o período de incubação da febre Q aguda varia entre 2 e 48 dias; o período de incubação característico é de cerca de 2 a 3 semanas. A febre Q crónica pode manifestar se ao fim de alguns meses ou de muitos anos após a infecção. As infecções sintomáticas podem ser agudas ou crónicas. Porém, numerosos casos de febre Q aguda são assintomáticos ou muito benignos, pelo que não são detectados. Os sintomas da doença aguda são semelhantes aos da gripe, podendo incluir febres altas, arrepios, cefaleias, fadiga, mal estar, mialgia, dores de garganta e dores no peito. A doença é frequentemente auto limitada e geralmente tem uma duração que varia entre uma e não mais de três semanas. A febre Q crónica, que se desenvolve meses ou anos após a síndrome aguda, é pouco frequente. A endocardite, o sintoma notificado com mais frequência, manifesta se geralmente em pessoas com lesões preexistentes das válvulas cardíacas ou em situação de imunodepressão.

Cerca de 98% dos casos em mulheres grávidas parecem ser assintomáticos; porém, em algumas mulheres a C. burnetii tem estado associada a partos prematuros, abortos ou baixo peso do nascituro. Têm sido notificadas complicações da gravidez em casos de febre Q aguda ou crónica. As consequências da febre Q congénita não são conhecidas.

Quais são os sinais clínicos da doença?

Numerosas espécies são sensíveis à infecção, mas na maior parte das espécies a infecção parece ser assintomática. Observam se casos de aborto, mortalidade neonatal, retenção da placenta, endometrite, infertilidade e baixo peso e debilidade das crias, em ovinos, caprinos e bovinos. À excepção da doença reprodutiva, os animais são geralmente assintomáticos. Os caprinos por vezes perdem o apetite e ficam deprimidos durante um ou dois dias, depois de um aborto. Foram também notificados casos de retenção da placenta durante um ou dois dias e de agalactia.

Como é diagnosticada a doença?

A C. burnetii pode ser detectada nas descargas vaginais, na placenta, nos fluidos placentários e nos fetos abortados (fígado, pulmão ou conteúdo do estômago), bem como no leite, na urina e nas fezes. Estão disponíveis vários testes serológicos; os mais vulgarmente utilizados são as técnicas de imunofluorescência indirecta, ELISA e de fixação do complemento. A serologia pode ser mais útil para o rastreio no rebanho do que para o diagnóstico individual. Nos seres humanos, a febre Q é geralmente diagnosticada por serologia ou PCR. Os testes serológicos podem ser efectuados bastante cedo, a partir da segunda semana da doença.

Como prevenir ou controlar a doença?

Sabe se pouco sobre a eficácia do tratamento com antibióticos nos ruminantes ou em outros animais domésticos. Por vezes é recomendado o tratamento profiláctico, para reduzir o risco de aborto. Os antibióticos podem suprimir os sintomas sem eliminar a infecção. As vacinas permitem evitar as infecções dos vitelos, reduzir a excreção de microrganismos e aumentar a fertilidade dos animais infectados. Contudo, não suprimem totalmente a excreção de microrganismos.

A maior parte dos casos de doença em seres humanos está associada à exposição a ruminantes, nomeadamente durante os partos. Dado que a ingestão é uma via potencial de exposição, deve ser evitado o consumo de leite e de produtos lácteos não pasteurizados. Podem estar disponíveis vacinas eficazes para as pessoas sujeitas a exposição profissional.”

Fonte: http://one-health.eu/ee/index.php/pt/page/febre_q/eu_vet_week_2009

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Caracterização do agente:

A Dirofilariose é uma infecção causada por um parasita de nome Dirofilária, sendo também conhecido como a “doença do verme do coração”.

Em Portugal, este parasita localiza-se preferencialmente nas regiões do Ribatejo, Alentejo, Algarve  e Ilha da Madeira.

O parasita atinge os vasos sanguíneos causando obstrução da corrente sanguínea, juntamente com tromboembolismos. Esta patologia pode levar à incapacitação ou mesmo morte do animal afectado.

A dirofilária afecta principalmente cães mas também pode afectar gatos e animais silvestres.

Modo de transmissão

A transmissão ocorre através da picada de mosquito Fêmea ( Culex pipiens) infectada com larvas de dirofilária ( microfilárias) presentes no animal infectado. As microfilárias tornam-se infectantes após 10 a 15 dias dentro do mosquito onde posteriormente serão inoculadas num animal saudável.Após a inoculação num animal saudável, as microfilárias migram para as artérias pulmonares e coração, onde se desenvolvem até ao estado adulto em 6 meses.

Para visualizar um vídeo ilustrativo acerca da dirofilariose, seguir o seguinte link: http://www.youtube.com/watch?v=lbFe9G3ntQg

Sintomatologia:

Os sintomas normalmente surgem após vários meses de o animal ser infectado. São mais comuns as dificuldades respiratórias, tosse crónica, intolerância ao exercício, perda de apetite e emagrecimento, edemas , perda de consciência e morte súbita ( em casos mais avançados).

Poderá haver animais sem sintomatologia, sendo preocupante quando os animais manifestam os sintomas, porque pode-se estar perante um caso irreversível.

Os gatos também podem contrair dirofilariose, apesar de ser mais raro do que nos cães, sendo os sintomas nos gatos mais agudos, levando mesmo à morte súbita sem que o dono detecte qualquer sintoma.

Tratamento:

Se esta patologia for diagnosticada precocemente, tem cura mediante tratamento químico, apesar de ser um tratamento dispendioso que apresenta alguns riscos  para a saúde do animal.

Prevenção:

A prevenção é feita mensalmente através de comprimidos que eliminam as formas larvares de dirofilária, ou mediante o uso de repelentes que previnam a picada do mosquito.

Dirofilariose humana

O Homem pode infectar-se quando os vectores contendo microfilárias em fase infectante se alimentam deste.  Estes vermes são assim transmitidos para o sangue periférico e normalmente não conseguem ultrapassar o tecido subcutâneo, morrendo neste. Contudo existem vários estudos que relatam casos de dirofilariose humana, tendo sido o primeiro caso relatado no Rio de Janeiro, em que uma menina apresentava dois parasitas adultos no coração.

Um estudo realizado entre 1990 e 1999 em Itália identificou 60 novos casos de dirofilariose humana sendo que os parasitas localizam-se mais frequentemente no pulmão, musculatura do braço e perna, escalpe e olho, como se demonstra na figura seguinte:

localizações de dirofilaria, num estudo realizado em Italia

Outro estudo realizado a nivel europeu em 1999 identificou as regiões em que existe maior  prevalência de Dirofilaria spp. e identificou o numero de casos reportados de dirofilariose humana.

  1. João Antonio Dias Ramos
    Outubro 15, 2009 às 19:40 | #1

    Somos do Centro de Controle de Zoonoses de Piraju – SP Brasil;
    este site é muito interessante, em nossa cidade tivemos 8 óbitos por febre amarela neste ano (silvestre).
    Aproveitamos algumas informações interessantes deste site.

    abraço aos amigos,

  2. Laira Gomes Viana Freitas
    Junho 22, 2010 às 09:56 | #2

    Olá, meu nome é Laira moro em Elvas.Sou uma protetora dos animais.Principalmente dos animais abandonados.No momento estou com 10 gatos em casa,egostaria de saber onde posso vacinar eles por menor preço.Nao tenho condições de leva-los á um veterinário.pois estou desempregada.Por favor me ajude,amo eles e quero ve-los saudaveis.

    • saudepublicaue
      Julho 5, 2010 às 23:54 | #3

      Olá Laira, muito obrigado pelo seu comentário.

      Penso que a sua melhor opção passará pelos serviços do médico veterinário municipal.

  3. neusa maria chaves santiago
    Setembro 24, 2010 às 19:26 | #4

    estou com a minha cadela com uma micose que não sei oque é,se tiver como mandar a foto dela para vcs, me dá uma orientação seria otimo.

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