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Crise: Veterinários com milhares de euros de dívida por falta de pagamento dos donos

Autoria de Elisabete Silva

Fonte: Diário de Notícias

Clínicas deparam-se cada vez mais com pessoas que não podem pagar. Tentam a solução das prestações, mas não são cumpridas.

As clínicas veterinárias estão cada vez mais endividadas. Em algumas os pagamentos em atraso ultrapassam os dez mil euros. Tudo porque os clientes pedem para tratar dos animais e depois alegam não ter dinheiro, ou simplesmente abandonam-nos nas clínicas.

A situação tem-se agravado devido à crise, garantem ao DN vários daqueles estabelecimentos. Há donos a optar por recorrer às câmaras ou a instituições como a Liga Protectora dos Animais ou a Sociedade Protectora dos Animais, onde pagam menos (perdendo as clínicas parte do negócio). Mas, muitas vezes, pedem tratamentos que não podem suportar em clínicas privadas.

“As pessoas têm de entender que as clínicas são empresas. Não há a mínima noção dos custos que têm. Infelizmente em Portugal a situação é: quando as pessoas têm dinheiro muito bem, quando não têm, ficam em situação complicada para tratar dos seus animais”, salienta ao DN Luís Cruz, do Conselho Profissional e Deontológico da Ordem dos Veterinários. E diz que a classe é a que mais faz medicina social. “Os veterinários tratam animais abandonados e tentam arranjar donos, no campo vão tratar de uma vaca, por exemplo, por preços baixos”, refere.

As clínicas tentam proteger-se da falta de pagamento dos donos pedindo uma caução (ronda os 100/150 euros), garantindo desta forma receber o mínimo em caso de falha por parte do dono, segundo explicaram ao DN alguns directores de clínicas que pediram anonimato.

Mas muitas vezes, perante falta de dinheiro, as clínicas tentam chegar a um acordo com a pessoa para pagamentos a prestações, normalmente com cheques pré-datados, ou com acordos verbais. Certo é que na maioria dos casos, os veterinários nunca mais voltam a ver aquele cliente. “Resta-nos agir judicialmente, mas para quê? Os custos de um processo são mais caros do que os tratamentos que nos são devidos”, diz Luís Cruz e que tem a mesma opinião que a maioria dos veterinários.

Mesmo que as prestações sejam pagas, a solução não é ideal , “apenas a possível para ter o dinheiro”. “O problema é que as contas que eu e as outras clínicas temos, têm de ser pagas a pronto. Torna-se numa situação complicada”, frisa.

Nos casos de abandono, os veterinários podem deixar os animais no canil. No entanto, Luís Cruz explica que o que mais acontece é tratarem o animal e depois arranjarem-lhe um dono.

Mas também há donos s acusam os veterinários de pensarem mais do dinheiro do que no bem estar do animal (ver caixa do lado direito). “Temos várias queixas dessas na Ordem, que são investigadas”, afirma. Luís Cruz avisa que muitas pessoas pensam que as clínicas têm de fazer caridade

Para este veterinário é essencial as instituições como a União Zoófila, a Liga e a Sociedade Protectora dos Animais terem mais condições para fornecerem tratamento médico a baixos custos. Realça que o dinheiro acaba por ser utilizado para salvar os animais que têm para os dar para adopção: “Mas têm demasiados e tentam durante muito tempo mantê-los adoptáveis para evitar a eutanásia. Se houvesse outro tipo de financiamento talvez pudessem ajudar mais quem tem menos dinheiro.”

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